
Os clientes da Kaizen podem ser convidados para uma reunião de negócios na Bat Caverna, caso alguns colaboradores estejam usando a Toca dos Gatos para fazer os últimos acertos para o Festival de Rock interno ou caso alguns executivos estejam na Sala da Justiça para escolher quem vai levar o Prêmio Ameba pela idéia mais absurda ou para a maior besteira cometida por um colaborador.
Mas essa reunião não pode ir até muito tarde, porque ainda nesse dia começa a Kopa Kaizen de Futebol e os atletas e as torcidas precisam receber todas as regras na Sala Zion.
Ficção? Sonho? Ou apenas uma empresa que não deve ser levada a sério? A resposta correta é nenhuma das anteriores, muito pelo contrário. Estamos falando da Kaizen Consultoria, uma empresa especializada na integração de sistemas e no desenvolvimento de soluções de TI, localizada em Indaiatuba, distante 90 quilômetros da capital paulista, e que ao optar por uma gestão que prioriza a descontração tem alcançado um crescimento a taxas médias de 50% ao ano e em 2006 foi a 16ª empresa que mais cresceu no Brasil.
"Descontração pode, sim, rimar com boa gestão", enfatiza em alto e bom som Daniel Dystyler, diretor de gestão de talentos e serviços da Kaizen, e também um dos seus cinco fundadores. A empresa surgiu em 1995 e, como explica Dystyler, já nasceu assim, com a vocação de possuir um ambiente de trabalho onde todos os envolvidos gostem, tenham prazer de ir trabalhar. "É preciso haver um equilíbrio entre a exigência profissional que o nosso negócio possui e a possibilidade de que cada um de uma forma lúdica, porém muito responsável, possa também contribuir para o desenvolvimento da empresa e o seu próprio desenvolvimento e realização pessoal e profissional", diz.
Esse conceito de gestão cria na Kaizen um ambiente de trabalho que não só estimula a criatividade e uma constante inovação, como também contamina fornecedores, clientes e a comunidade ao redor. "Quem está de fora, acompanhando a nossa agenda de eventos lúdicos, torce para que seja também convidado a participar", explica Eduardo Molero, um analista de sistemas que está há cinco anos na empresa e que é presença certa no Kaizen Rock com a sua banda Grude, sua guitarra e seu contrabaixo.
Molero, como muitos dos colaboradores da Kaizen, entrou para a empresa por um processo de seleção que tem permitido que a empresa registre erro zero no perfil do colaborador contratado. Trata-se do Programa Kem Indika, no qual os próprios funcionários indicam candidatos para as vagas abertas e, se o indicado atender aos requisitos e ficar mais de seis meses trabalhando na Kaizen, quem indicou ganha um bônus em dinheiro pela certeira recomendação. "As pessoas da comunidade ficam de olho em cada vaga que surge e eu mesmo já indiquei cinco profissionais e todos continuam trabalhando aqui com muita satisfação", explica Molero, que reforçou o seu caixinha com os bônus conquistados pelas cinco indicações. Esse processo também garante que a adesão do colaborador a todas as atividades lúdicas seja muito grande, já que desde o processo de seleção ele tem um perfeito entrosamento com a estrutura organizacional da Kaizen.
O bom humor e a descontração que formam a base do relacionamento interno e externo da Kaizen vêm do início de tudo e norteiam o dia-a-dia dos seus cinco sócios-fundadores, que juntos participaram de um programa de estágio de uma multinacional e lá perceberam que precisavam criar um módulo organizacional em que os valores e a missão precisavam ser preservados, mas de uma forma muito mais moderna e revolucionária, mesmo que inicialmente parecesse excêntrica demais para quem olhasse de fora. O próprio nome da empresa já demonstra o que eles pretendiam: Kai (mudança) e zen (para melhor), formam uma palavra de origem japonesa que significa uma melhoria contínua, gradual, na vida das pessoas, das famílias e da sociedade.
Os cinco valores fundamentais pregados pela Kaizen são: guiar-se por princípios éticos; proporcionar um excelente ambiente de trabalho; garantir a satisfação dos clientes com padrões de excelência; ter responsabilidade social e reconhecer a lucratividade como essencial para o seu desenvolvimento. Aparentemente, nada muito diferente de várias outras empresas pelo país, mas o grande diferencial está na forma como isso é trabalhado no dia-a-dia com cada um dos seus 160 colaboradores.
"Se você quer perpetuar a sua empresa, é preciso que as pessoas estejam alegres e satisfeitas no local onde elas talvez passem o maior tempo dos seus dias. Aqui, as pessoas têm espaço para desenvolver suas aptidões profissionais e realizar sonhos pessoais em atividades que vão do simples entrosamento entre as várias equipes a uma verdadeira troca de idéias, sugestões e experiências da maneira mais lúdica e divertida possível. Além disso, optamos por uma arquitetura interna de horizontalidade em que há total acesso à diretoria em todos os momentos", explica Daniel Dystyler, ele mesmo uma figura de destaque nos eventos de rock com sua banda Number One.
Tudo é muito informal e o casual day é a melhor definição para o dia-a-dia da empresa. "Trabalhar em um espaço menos rígido e em clima mais despojado não significa que não haverá comprometimento ou cobrança por bons resultados, e a prova de que estamos nos caminho certo é que aqui dentro a filosofia é de que todo mundo é dono da empresa e, anualmente, 20%, ou seja, 1/5 do que a empresa lucra é distribuído proporcionalmente a todos os colaboradores. E os nossos números comprovam isso já que só no último trimestre de 2007 crescemos 36% em relação ao mesmo período de 2006", acrescenta Dystyler.